Resenha
Quarto de Despejo
de Carolina Maria de Jesus
por Bárbara Andrade Jardim, aluna do
3º ano C
O livro Quarto de Despejo
(1960) é um diário escrito por Carolina Maria de Jesus (1914-1977), uma
moradora da comunidade do Canindé que ficava em São Paulo até ser retirada para
dar lugar a marginal Tietê. Carolina viveu lá na década de 50 com seus três
filhos, João José, José Carlos e Vera Eunice, os quais ela sustentava catando
latinhas e ferros, fazendo faxina ou lavando roupa e dando aulas de
alfabetização em casa. Apesar disso, é possível ver no livro diversas palavras
escritas com erros na gramática formal.
Por ser um diário real de uma moradora da favela, inexiste a
romantização que ocorre em diversas obras ficcionais sobre a vida do
marginalizado morador de comunidade. Então, o que temos é uma pessoa pobre que
tenta de tudo para sustentar seus filhos e que escreve sobre o que vive e
conhece.
Encontramos no livro algumas palavras como “ablui-me”
enfeitando o livro no meio de tantas palavras que não correspondem a norma
gramatical da época, vindas de alguém que teve uma escolaridade limitada. A
própria Carolina escreve que só estudou até a segunda série primária, mas que
sua professora lhe fez amar literatura. Escrever seus livros foi como uma
espécie de fuga da realidade difícil e frustrante que ela vivia.
O livro é de fato muito sincero e autêntico. A autora
buscava, até algumas vezes excessivamente, mostrar cada detalhe de sua rotina.
Além disso, ela dá suas opiniões pessoais sobre absolutamente tudo, que vai das
picuinhas que tinham em sua vizinhança até assuntos mais sérios como o racismo
que ela sofria e o descaso dos governantes com os “favelados”.
O livro foi escrito há setenta anos atrás, mas percebemos
pouca mudança dos fatos descritos pela escritora. O livro é forte, pesado e
transparente, não é para qualquer leitor, pois é necessário uma mente aberta e
disposição em sair da bolha em que vivem as pessoas que não compartilham da
mesma realidade escrita e entendê-la.
Depois que li o livro todo entendi o porquê de ele estar na
lista de leitura obrigatória de diversos vestibulares: ele é importantíssimo
para um desenvolvimento de pensamento crítico. Saber o que Carolina passou e
diversas pessoas ainda passam no Brasil nos faz abrir os olhos para diversas
realidades que, muitas vezes, por falta de informação ou interesse, não sabemos
nem que existem. E nos faz estar mais dispostos a mudar e fazer outras pessoas
quererem mudar também.
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